Estórias de Sala – Conto II

Em um dia sem aula, uma equipe se reúne na mesma sala que acontecem suas aulas todos os dias. Porém algo não parece estar certo. Alguém aparenta uma calma quase sufocante, calma essa que não lhe é de costume.

— Tudo bem, Jeovanna? – pergunta Luana.

— Sim… Só um pouco cansada!

— Vamos fazer assim: cada um faz uma parte e depois todos leem a parte do outro, certo? – diz Fernanda.

Todos concordam, mas Luana continua a observar o cansaço que Jeovanna tenta não aparentar. Ela desvia o olhar para os outros colegas e vê que eles também perceberam, mas só não querem comentar. Isso angustia Luana a ponto de fazer com que ela não consiga se concentrar na leitura.

Enquanto isso, Jeovanna um parágrafo e volta novamente para tentar pelo menos entender as palavras que parecem se embaralhar em sua frente. Seus olhos se fecham, abrem e se fecham novamente com mais força. É o choro, a dor de não aguentar mais o cansaço e a pressão.

Trabalhos e mais trabalhos “um por cima do outro”. Jeovanna não sabia que o percurso acadêmico seria um salteador de tempo e de forças, pois as suas já feneciam. Em meio a todas as preocupações e correria, ela via cada vez mais perto o momento de tomar a difícil decisão.

Os tempos de escola não foram tão cruéis, para ela, como estes estão sendo. Lá era bem mais fácil de lidar com o tempo, com as atividades e com os erros. Estes parecem fatais no âmbito acadêmico, pois cada um faz com que ela seja prejudicada, psicologicamente, ainda mais nesse percurso.

— Ai, chega! – diz ela, enquanto enxuga uma lágrima fria que já corria pelo rosto.

— Ai, mana! Que susto! – diz Jefferson.

— O que foi Jeovanna? – pergunta Fernanda.

Naquele momento, parece que a sala captou toda a densidade que havia lá fora e a aglomerou por dentro, fazendo com que o clima ficasse bem mais pesado. “Estudar é importante, mas é mais importante a saúde mental”, foi o que disse o professor da disciplina atual antes de pedir a leitura de vários textos e três trabalhos em menos de vinte dias.

— Eu não tô bem. Não tô conseguindo mais…

— Por quê? Mana se tu quiseres desistir vou mandar cancelar teu ar. – interrompe Jefferson, sempre tentando melhorar o ambiente.

— Vocês também estão assim. Sabem do que tô falando. Essa pressão toda tá acabando comigo. Tá muito difícil conciliar tudo, manter a vida e os estudos ao mesmo tempo.

— Nós entendemos, sim. Mas desistir nunca será a melhor opção. Você pode ir aos psicólogos do campus que eles te ajudarão a passar por isso. Eu já fiz isso, Jeovanna. Vai ajudar muito. – diz Luana com toda a sensatez que ela tem.

— Eu sei. Esse seria meu último trabalho com vocês. Tenho passado por momentos tão difíceis, que só Deus sabe.

Aquela foi uma longa e dolorida conversa, mas a angústia que havia se formado no coração de Jeovanna foi aos poucos indo embora. Seus amigos a ouviram durante horas, choraram com ela e renovaram as esperanças uns dos outros.

Jefferson, apesar de toda a sua capacidade de fazer rir quem está triste, disse algo que todos deveriam ter em mente, mas que, infelizmente, um ou outro esquece de vez em quando:

— Olha amiga! A caminhada se torna mais fácil quando, no meio do caminho, encontramos pessoas capazes de fazer-nos ir mais longe; pessoas que insistem em acreditar em nós e que tentam nos reiniciar todos os dias.

Quando chegam os momentos devastadores, é a hora de colocar a amizade para funcionar, é a hora de ouvir e ajudar. Hora de mostrar que não estamos sozinhos na vida por um motivo: o adminículo. Ou melhor, a cooperação amigável que faz-nos chegar longe.

Ele sorriu e todos se abraçaram, depois voltaram à atividade com um alívio quase completo.

— Obrigada, amigos! Me sinto bem melhor agora. Meu TCC me espera. – disse ela.

close up photo of vintage typewriter
Foto por Min An em Pexels.com
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