Erupção

Pra mim não existe isso de se apaixonar pela metade; gostar pela metade. Ou gosta completamente ou não gosta nada. Nada de fingir gostar. Isso tem que ser pleno. E quem gosta tem que demonstrar, nem que seja comprando um Danoninho. É isso mesmo! Eu ainda acredito que quem ama dá presentes sempre que pode, só pra deixar o amor mais alegre e se sentindo ainda mais importante.

Gosto de ser extremo, e de viver o amor extremamente, como um militante do sentimento. Que corre em meio à chuva, sem qualquer vontade de se manter seco. É um lançar-se à guerra com nenhum tipo de armamento, porque, na verdade, não existe medo algum de ser atingido. Pode ser um martírio totalmente consciente. Figurativamente, é tudo isso. Na realidade é ainda mais intenso. Nela, o amor é detalhista, é estrategista.

Eu acho incrível como que isso vai se formando: primeiro surge inquieto, depois vai permeando por entre a vida, querendo prender. Aí a gente se joga nele, e vai. Eu acho incrível porque ele mesmo vai se construindo, vai ganhando forma e vai se esquivando das barreiras. Acho, também, que ele é abstratamente líquido. Ganha forma e se transforma. Aí vem alguém dizendo que “ama pela metade”.

Que papo é esse?

O amor faz todo o trabalho de construção. É só dizer que não ama. Sem essa de “estar em cima do muro”. Quem gosta, gosta e pronto. Não existe meio termo no amor. Esse negócio de paixão é só uma desculpa pro “pequeno interesse”.

Pra mim, amor tem que ter fogo; aquela ardência que vem de dentro e faz a mente ficar doida. Tem que ter aquela erupção interna, que te faz queimar. Sim! Pra mim, ele é tudo isso, sim. Das pequenas atitudes até as mais extremas. O amor é mão no rosto como carícia, fazendo estremecer por dentro; é tocar, e já incendiar; é beijinho com sorriso precedido por gemidos de prazer; é ser, de vez em quando, Otis e Maeve, mas também Adam e Eric; é endoidar, e sorrir da doidice; é tanta coisa, que a gente até esquece o que mais pode ser.

Enfim, ele pode ser tudo isso. Só não pode ser metade. Isso não dá prazer; não rola. Vai ser um namoro arranjado. Sei lá! Forçado. Não vai ter mãos dadas, beijos com aqueles risinhos lindos, muito menos ardência. Vai ser só a metade em tudo. E , pra mim, o amor tem que ter prazer. Se não tiver, com esse amor eu nem me arrisco.

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Foto por Archie Binamira em Pexels.com
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