Aprenda a amar!

Quando eu me apaixono, é intenso. Faço cada momento ser uma viagem extra-dimensional. Faço das coisinhas mais simples as mais extraordinárias do mundo. Faço festas, fico suspirando com o peito apertado, querendo estar perto. Querendo o beijo, sentir o cheiro, e as prazerosas carícias. Mas esta intensidade já me custou noites em claro, sofrendo e chorando para esquecer. Não é à toa que meu coração tem ficado cada vez mais retraído. Alguns amigos dizem que estou me fechando sentimentalmente para novas tentativas. Mas quantas vezes eu devo tentar? Quantas vezes eu terei que me ferir por causa de mais uma tentativa fracassada?Porque quanto mais eu faço dos amores uma inigualável edificação mais ela desaba sobre mim, deixando-me em meio aos destroços, que — eu sei — terei de limpar novamente.

Imagino que o meu pobre e cansado coração deva pensar:

Será que vale a pena fazer tudo aquilo novamente? Devo outra vez maximizar ações ou situações totalmente insignificantes só para manter vivo um amor incerto? Afinal, eu nunca teria me machucado se ao invés de me atirar em disparada contra outro coração, eu começasse a agir sem expectativas; agir com a razão.

A verdade é que ser intenso demais, às vezes, machuca. E o mais insuportável disso tudo é curar esta interior e abstrata ferida. Receitaram-me o tempo, mas ele quase nunca foi generoso comigo. Aliás, como posso encontrar cura quando o próprio remédio me apresenta às feridas?! Ele não curava, só ia jogando uma história por cima da outra. E eu só fui cansando aos poucos. Cansei das luzes cintilantes que via em cada olhar, quando não passavam do reflexo dos meus; das diversas vezes que arrumava qualquer desculpa para sentir o toque ou ouvir a voz, mas era friamente ignorado; das incontáveis vezes que tive que me submeter aos clichês de “atravessar oceanos”, “cruzar o mundo inteiro” e fazer o caralho a quatro, porque tudo o que eu fazia parecia ser pouco demais pro tamanho do que eu estava sentindo. Mas eu não percebia que amava só. Era um amor só meu. Queria fazer o possível e o impossível, enquanto a porra do frasco, no qual eu depositava toda essa exagerada maré de demonstrações, não movia um músculo por mim. E não lutaria nem o mínimo possível por nós. Eu era só um “tanto faz”. E tantas vezes eu adorei ser o “tanto faz” de alguém, só pra não perdê-lo.

Talvez eu tenha estagnado. É isso mesmo. Eu estagnei. Estanquei todos os ferimentos, antes que acabasse morrendo de uma infecção interna que começaria corroendo todo o meu peito, afetando a minha vida inteira. Mas demorou. Doeu, e doeu muito. Nunca será fácil encontrar onde está o erro e eliminá-lo. Não quando se trata de amor. Dizem que a gente só ama uma vez, mas, se for verdade, eu não sei o que sentia. Porque sempre me entreguei com todas as forças para todos os amores que tive. Sempre mergulhei fundo, acreditando plenamente que estava amando; que aquilo era o amor. Mas sempre me decepcionei.

E, sabe? Talvez o amor que sentimos só uma vez não seja esse que a gente tenta, a todo custo, repassar. Eu entendi que a gente só ama uma vez, quando, na verdade, descobre o auto-amor. O amar-se a si mesmo. E quando se descobre o amor por si mesmo é quando você dá valor a suas qualidades, menosprezando suas fragilidades que tanto te retalham; é quando percebe o incrível ser que você é. Este amar é quando você usa toda essa intensidade sentimental para si mesmo. Pois quando você amar a si, saberá como amar o outro. Conseguirá estar com alguém, mas acima de tudo, priorizar-se. Assim, não haverá como se machucar. Tá doido?! Isso dói demais. Quero mais não.

Aprenda, por favor, a amar. Mas antes apreenda o amor para ti mesmo. Isso te livrará da escuridão sentimental; dos dias cinzas, que te sufocam.

Aprenda a amar, aprenda a ser feliz!

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Foto por Matheus Bertelli em Pexels.com
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