Um conto de [des]amor

Enquanto ele se despedia, eu chorava baixinho em sua frente. Sei que fui eu quem o mandou ir embora, mas só de pensar que ele realmente está indo meu coração sangra, e não quer parar de doer. Nessa última briga, ele me jogou todas as palavras que, embora eu já tenha ouvido tantas vezes, me machucaram ferozmente. Lembro das vezes que fomos felizes, e nos amamos sem titubear, porém sempre foi assim: uma hora a gente se ama, outra a gente briga.

— Promete me amar pra sempre?

— Não sei se seria possível. Ainda não tenho certeza se te amo!

— Mas a gente já namora há tanto tempo. Como pode dizer isso?

— Não sei! Dorme!

Me sentia a pessoa mais confusa da face da Terra. Eu não sabia o que fazer com essa situação. Eu o amava, e por causa disso deixava ele ser isso. Um namorado que dizia não me amar, e que estava comigo, mas talvez não fosse pra sempre. E ele não me deixava penso que por pena. Apesar de agir dessa forma, ele gostava de estar comigo, e de me beijar. Gostava das noites que passávamos juntos. Tinha dias que até me fazia muito bem, muito feliz. No entanto, era passageiro. Quando ele não estava bem, eu não podia sequer falar.

Mas tinha total convicção que o tempo mudaria isso. Que de uma hora pra outra ele chegaria perto de mim fazendo declarações e dizendo que sempre me amou. Mas não. Fui tão fundo nele, tentando achá-lo no meio daquela confusão, mas só consegui me perder por lá também. Como pode alguém amar tanto uma pessoa a ponto de se deixar ser apenas um capricho dela? Eu amava estar com ele, e ser dele. Só importava o fato de eu pertencê-lo. Mas isso não é tudo.

— Por que tu é assim comigo?

— Assim como? Eu não te falei desde o início que eu era assim?

— Mas eu não aguento mais te ver me tratando mal.

— Então termina, e vai embora!

— …

Acha isso ruim? Pra mim não era novidade. Ele sempre me tratava dessa forma, e eu sempre terminava a conversa contra a parede. Porque eu dizia várias vezes, tentando fazê-lo mudar essa forma de ser, mas ele sempre vinha com esse discurso. No entanto, eu não conseguia. Eu estava preso a isto, sem força nenhuma para sair.

Relacionamentos são tão complexos, que a gente por vezes se perde por causa deles. E eu era um desses. Um amante só. Um ser de alma ora radiante por amar, ora apagada por esse amor. O que fazer? Eu vou sofrer se isso terminar. É desesperador só de pensar que eu posso perdê-lo.

— Essa é a minha decisão!

— É?! Tem certeza que vai me deixar?

— Não! Mas…

— Tá! Eu vou, talvez seja melhor pra nós dois.

— Não! Não vai…

Me joguei em seus braços, e o apertei forte querendo fazer com que ele sentisse  a minha alma e o quanto ela estava desesperada com aquela situação. Então, ele não foi. Não me deixou. Mas… como poderia? Ele já fez isso faz tempo. Me deixou estando comigo. E… eu também me deixei. Me deixei levar por ele, e por esse amor. É coisa de louco. Eu sei. Mas, talvez o amor seja uma loucura.

Vai saber!

shallow photography of dried leaves
Foto por Alan Cabello em Pexels.com

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