Quando o amor acaba

Quando o amor acaba, não tem mais chamego, carinho nem as inúmeras carícias que fazem o corpo tremer, e o tempo parar. Acabam-se as caminhadas tão demoradas, que muitas vezes nem têm destino. É, na verdade, só para estar perto ou sentir na pele a emoção de estar ao lado. E aí, acaba a magia dos toques estremecedores; do pertencer, e ser um só em uma única direção. Começam a andar em direções opostas, sempre se colidindo um com o outro.

Quando o amor acaba, não necessariamente é um pressuposto para um rompimento de olhares ao menos. Mas acaba a relação amorosa, porque não existe relação sem amor. É totalmente impossível pensar em um relacionamento amoroso sem amor. Compara-se a um rio sem águas. Não é rio. Então, relacionamento sem amor não é relacionamento. Pode ser qualquer outra coisa, menos um relacionamento amoroso.

Quando acaba o amor, ele pode sim ter existido. Sem essa de acreditar que quando acontece um rompimento é porquê o amor nunca existiu. Eu me recuso a acreditar em tal hipótese. Até porque o amor não é igual aos outros sentimentos, ele não é “uni-situacional”. Quando se sente o amor não se toma uma pílula e, pronto! Ele passa; nem comer ou tomar algo. Isso não significa nada para o amor. Ele é autônomo e ao mesmo tempo dependente. Sim! Nós não amamos se não houver quem amar, o que mostra dependência. Também não amamos porque queremos amar, o que mostra autonomia. Na verdade, o sanar do amor é totalmente diferente do “tomar uma pílula”. Pois, para que a dor passe e vá embora, é necessário ingerir a pílula. É necessário que ela esteja ali. Assim a dor passa. Mas se pensarmos na mesma máxima para o amor é ao contrário. Pois o sanar dele não faz passar, mas permanecer ali. Faz ele arder ainda mais. E, para que o ele passe e vá embora, basta que o outro não se faça mais presente. Ele vai se desfazendo.

Na verdade, isto parece desculpa para esconder a dor ou para querer se livrar logo de um relacionamento falido. O amor não é um sentimento que nos padronize a agir de tal forma. Ele é um sentimento em recipientes totalmente diferentes por dentro. Devemos entender que ele existe mas vai se diluindo quando não é cuidado. Pois os lagos secam, o vinho acaba, o fogo apaga, a chuva cessa e a dor passa. Por que com o amor seria diferente? É necessário que ponha mais vinho na taça, e lenha na fogueira se quiser continuar queimando. Sem isso não existe continuidades. E dizer que ele não existiu é fugir dele, negá-lo ou pegar o prato já cuspido e jogá-lo fora.

Quando acaba o amor, é preciso entender que vai doer. Porque na maioria das vezes o amor vai esvaindo-se para um, enquanto que para o outro ele já nem existe mais. E aí, dói. Sabe por quê? Porque dói saber que você não é mais a preferência de alguém. Dói ver seu nome ser apagado gradativamente dos lábios do outro. Dói sair sozinho, porque as caminhadas agora são cansativas. E no fundo, nós adoramos ser o sorriso da pessoa, ser o único pensamento, a única companhia, a visita mais esperada e as ligações mais constante e demoradas no celular. É por isso que dói.

E, por incrível que pareça, o amor (quando o há) é uma linha tênue entre qualquer outro sentimento. Ele faz o coração bater forte e saltarmos de alegria. Faz sentir saudade, ansiedade; deixa-nos curiosos. Ele é capaz de nos deixar apreensivos, e se tem um sentimento que não pode faltar é o ciúme, este é universal. Mas, além disso, ele pode trazer também tristeza, dor, amargura, depressão, baixa auto-estima, raiva e tanto outros. Por isso digo que ele é uma linha tênue que é perigosa.

Quando acaba o amor, é quando mais devemos ser racionais. Pois em um término existem dois lados. Um de lá e outro de cá. Existe o seu sofrimento e o sofrimento do outro também. Ou você acha que sofre sozinho? Às vezes, você sofre e o outro sofre por causa do sofrimento que ela está te fazendo passar. Já pensou nisso? Ela sofre por te fazer sofrer. E esse sentimento é uma tortura. O outro se prende nele com as celas que você está emanando. O amor acaba, aceite isto. É difícil, mas é necessário superar.

Quando acaba o amor, só há uma coisa a fazer. Chamar ao lado, e falar. Sim! Conversar evita muitos conflitos. E acaba tornando o relacionamento outrora amoroso em um relacionamento amigável de duas pessoas que se respeitam, e seguem sua vida com paz interior, e com a certeza de que outros amores podem ser construídos. O início do processo é doloroso, eu sei. Mas há beleza na dor. Ela te faz mais forte. Ela te amadurece. É uma fase de aprendizados, e você nunca vai saber tudo. Principalmente quando se trata de amor, porque quando ele acaba já não se pode fazer muito. Apenas aceitar e superar. Eu sei que somos capazes disto.

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