Gr[amar-ti]ca

Começar um relacionamento sempre é algo muito prazeroso. Aliás, os começos de circunstâncias boas nos dão mais prazer que qualquer coisa na vida. A gente se sente feliz pelo simples fato de começar a dar certo com alguém. Principalmente depois de um longo tempo de uma espera que parecia não ter fim. E de passar por uma fase na qual o coração se fechou ativa e passivamente para o amor.

Porém esta longa fase chegou ao seu ultimato, e a nova veio sem “lacueras” ou qualquer tipo de imperfeições, mas com uma dose imensa de certeza que vai dar certo. Veio, e me pegou sem estar preparado. Mas… como se prepara para amar? Não sei. Só sei que veio e me deixou voando, com vontade de gritar para todos ouvirem o quanto eu amei te encontrar, e poder viver esse romance tão construtivo.

E assim começa um quase que impossível ciclo novo na vida de mais dois “alguéns” no mundo. Quase impossível porque dizem ser invariável, inaceitável ou que não pode ser usado neste contexto sincrônico, mas com a força mais linda (o amor) que existe no universo todo eu garanto que é definitivamente aceitável sim.

Comparo o amor como a gramática: nós mesmos fazemos com que ele se torne difícil, afirmamos que é difícil e, ainda por cima, o ultilizamos para viver. É difícil de dominar, mas nos domina; bem antes de pensar já é formado dentro de nós, e quando sai, é sem complexidades, naturalmente. Amar é como falar, e falar de amor é contruir uma gramática com cada batida do coração, onde a única regra é não prender-se, mas variar e caminhar por diversas mentes e corações.

O amor me encontrou, e por me encontrar eu gostaria de fazer esta comparação: és um adjetivo indescritível o qual não consigo nem formar significantes precisos, pois só de pensar em ti minha mente se embaraça toda; uma interjeição nunca ouvida, mas sempre repetida tanto nos lábios quanto no coração; o objeto direto que completa todo o sentido da minha vida; o complemento perfeito para os meus dias mais preguiçosos ou tenebrosos; o artigo que nunca pode se afastar deste simples sujeito aqui.

Em áreas mais amplas, tu és a minha sintaxe, minha morfologia, e os fonemas mais lindos do mundo são os que estão contidos em teu nome, e que formam um som perfeito a cada sílaba reproduzida. E quanto à minha semântica? Nem te conto. Eu não teria significado sem tua existência. E falando nisso, tu és o meu parônimo, pois sempre que citam teu nome eu sou lembrado, e sempre que citam o meu é em você que pensam; também és o meu homônimo, pois ainda que nossas trajetórias tenham sido totalmente diferentes, nos encaixamos perfeitamente um no outro, como almas gêmeas; és ainda minha polissemia, pois tu para mim significa todas as coisas boas da minha vida, vários significados maravilhosos para um alguém só.

E tudo isso é só o começo de uma relação magnificente que pode ser um vocabulário inteiro, uma diacrônica e ininterrupta relação. Somos todas as línguas em duas, sentindo um gosto só: o do nosso beijo.

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