Carta Suicída

Parei de postar status, e parei de postar qualquer tipo de publicação. Não existe forma melhor de expressar como realmente eu me sinto. É assim mesmo que tudo acontece, e ninguém percebe. Não existo. E ninguém pergunta o porquê de não aparecer mais online. Ninguém se importa se eu vou postar ou não, se meus status são tristonhos ou extrovertidos. Ninguém se importa. Sabe por quê? Não sou sociável, e talvez nunca consiga ser, pois minha personalidade não me permite isso. Não é que eu não goste de outras pessoas ou não queira ser “legal”, simplesmente não acontece. E esse processo é recíproco. Eu não consigo falar, e os outros não falam comigo. E algumas pessoas alimentam essa minha inexistência. É uma reciprocidade homicídica, a qual não se pode contestar. E eu nem me atrevo, pois ninguém nota“.

As redes sociais talvez tenham o intuito de promover a interação, fazer com que pessoas nada interativas, como eu, comecem a ter um contato comunicacional com os outros. No entanto, acredito que em casos isso só piorou a situação. Sabe por quê? Porque tanto na realidade material quanto na virtual os seres tendem a se organizar em grupos isolados um do outro. Isso na virtualidade se chama bolhas. Sim, bolhas virtuais. E você será inserido em uma bolha onde só existam informações e pessoas que coadunem com aquilo que lhe interessa. E quando alguém não se encaixa nos interesses alheios ficam a mercê, separados, não em grupos, mas na borda de certas bolhas, tentando forçar o contato entre os que estão no centro e os que estão fora junto com ele.

Com isto, alguns acabam desistindo da virtualidade, e já são centenas de perfis mortos que ficam boiando por ali. Eles se sentem ainda mais excluídos, pois além de não conseguirem interação na realidade física, também não conseguem com a virtual, que fora criada para este objetivo.

E eu fico aqui, sem olhares, atenções e conversas. Um ótimo candidato à depressão ou, quem sabe, ao suicídio. E isso é porque muitos estão acostumados com suas bolhas que nem olham em volta, seus olhos estão grudados na tela de uma só maneira de vivência. São muito individualistas, e só querem saber de seus interesses, realizar metas que estejam num nível que não importa se a maneira mais fácil para conseguí-las é ignorando quem é inferior. E eu vou ficando por aqui, desistido da virtualidade e desistindo desta materialidade fictícia, uma pseudovida”.

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