Helena: uma história de amor – Parte II

Quem é Henrique?

Não consigo nem respirar direito, é uma mistura de nervosismo com espanto e admiração, tudo ao mesmo tempo, e isso chega até a me causar ânsias. Eu não podia acreditar no que estava vendo, quanta ironia existe no destino. A garota das flores, bem ali na minha frente toda empolgada para estudar. Segundo a professora, ela tinha ótimas notas e era bastante interessada nos estudos, além de amar literatura e saber muito sobre gramática. E eu… o que sabia? Que o verbo é o elemento principal de uma oração? Ah! Mas não importava, eu pensei que iria ficar ali parado durante toda a aula, até cair a ficha.

— Ela não parece ter marcas de feridas, Henrique. – disse Lucas.

— É… – respondi sem nem ao menos entender o que ele tinha dito. Meus olhos estavam imóveis e fixos no quadro negro. E continuaram assim enquanto Helena caminhava até o seu assento, sendo seguida pelos olhares curiosos e espantados dos alunos, mas eu continuei olhando para o quadro, e dentro de mim só se ouvia um único som: “é ela”, e todas vezes que este era emitido junto com ele vinha uma carga elétrica horrível passando por todo o meu corpo. Era o nervosismo, o mesmo que senti ao pensar na possibilidade dela ter um celular ou não. Minhas pernas tremiam de tão nervoso que eu estava.

Fui tapeado, eu esperava uma garota igual a quase todas as que têm na sala. Simples, mas tão simples que passam até despercebidas, pois elas não ligam muito para a vaidade, o que dissipa a beleza delas. Não pensam em maquiagem, roupas bonitas, essas coisas de garotas da cidade grande. Nós sempre dávamos uma escapada para ir à cidade para paquerar as moças de lá, e sempre dava certo pra eles, eu sempre fui um péssimo mulherengo. A única da nossa sala que chega mais perto de ser igual as da grande cidade é Carolina, filha do prefeito. Ela é bonita e se arruma melhor que qualquer uma desta cidade, e consequentemente chamava a atenção de muitos homens. E por isso se envolveu com um homem casado e acabou tendo que ir trabalhar na igrejinha que tem logo na esquina da rua, onde fica a minha casa. Foi o próprio prefeito que, para não perder o controle da cidade, acabou tomando essa decisão, e obrigando a filha a se comportar mais decentemente ou a levaria para o convento, e ela seria uma freira.

Quando a aula terminou, fiquei sentado ainda por alguns segundos, mas logo Carlos me cutucou, perguntando o que eu tinha achado da aluna nova. Eu não consegui dizer nada, pois não sabia se lhe dava atenção ou olhava para Helena conversando com a professora. Parecia muito simpática e também muito alegre. Eu tinha que vencer meu nervosismo e ir falar com ela, mas eu ainda não tinha pesquisado nada sobre botânica. Eu não saberia falar uma única palavra sobre, nem sequer das dormideiras que são as mais conhecidas plantinhas daqui. Por onde a gente passa tem dormideiras espalhadas por todo o caminho, e a gente gosta de mexer com elas e falar: “tua mãe morreu”, até que elas se fechem todas.

De repente, elas pararam de conversar e eu achei que ela iria embora, mas não; veio caminhando em minha direção. Todos nós paramos de conversar e ficamos olhando para ela. Ah! Como era linda, mas tinha algo que não deixava eu apreciar sua beleza direito, era o frio na barriga. Mas eu tentei ficar o mais calmo possível. Ela parou bem na nossa frente, e olhou para cada um de nós.

— Quem é Henrique? A professora pediu que fizéssemos o trabalho juntos.

E todos apontaram para mim numa quase que perfeita harmonia. E pronto! Foi aí que nos conhecemos, fizemos o trabalho e nos tornamos inseparáveis. E isso até causou um certo problema, visto que as únicas pessoas que sempre estavam comigo eram Lucas, Carlos e Edu. Eles diziam que passaram a ganhar uma posição um pouco mais baixa em minhas preferências, e Helena conquistou um lugar bem especial, no qual ninguém havia ocupado. Mas o certo é que amizade nenhuma perde espaço em nós, por causa de outras. No entanto, há sempre um lugarzinho guardado para um grande amor. E naquele momento era Helena o meu grande amor.

— Henrique? Está em casa, amor?

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