My Dream de Infância

Ter que fazer escolhas é um trabalho extremamente árduo, e consome tanto que ao fim do dia tudo o que queremos é deitar e descansar a máquina seletiva. Pensando assim, a vida é uma grande prova de múltiplas escolhas. Mas nem sempre foi assim, voltemos ao passado para perceber em que momento as escolhas começaram a ser mais importantes que as espontaneidades.

Lembro que meu sonho de infância era ser um soldado da marinha, e isto perdurou por muito tempo. Eu olhava as roupas que davam a eles o poder de se tornarem invisíveis entre os diversos ambientes, e eu achava tudo incrível.  Talvez este fosse o maior motivo para eu ter este sonho, pois aos 7 ou 8 eu nem entendia o que a guerra tinha a ver com soldados, eu apenas queria ser. Queria ter poderes que me tornassem em alguém importante, de nome. Mas com o passar do tempo, meu sonho mudou, e então, já não queria tanto ser um soldado, preferia ser médico. Era bem melhor, eu poderia ser um doador de vida. Um reconstrutor de sonhos e de histórias que insistiam em ser interrompidas por maus adquiridos. Eu seria um super-herói para muita gente, que talvez eu nem conhecesse antes.

Mas mudou novamente, e eu comecei a perceber que, para ter que realizar sonhos eu teria que fazer escolhas, talvez certas ou talvez erradas. Ninguém sabe qual escolha o levará a um grande futuro, pois muitos por escolherem o “saudável”, o “melhor para sim”, acabam se privando de grandes realizações. E eu já entendia que as escolhas me afetariam e seriam cruciais para os passos que teria que dar adiante.

Daí, eu percebi que o maior poder mesmo é de mudar o rumo da vida, é o de auto-guia na própria existência. Eu escolho o futuro que desejo, no entanto, percebi que os desejos mudam, e o que eu escolheria para mim ontem, talvez fosse descartável hoje, e esquecido amanhã. A mente amadurece e aprende que escolhas são necessárias para cada momento, que os sonhos de infância foram escolhidos porque estavam sendo desejados, e que foram trocados porque o desejo é um para cada faixa etária. Primeiramente se quer ter poderes, não importando nada. Depois é a vez da empatia entrar em campo: quero fazer pelo próximo. Depois o desejo torna-se limitado, é posto sob poucas opções, mas a escolha é obrigatória e urgente.

Porém, como sempre é possível sonhar, sempre estamos buscando algo que pensamos ser impossível de alcançar: um paradoxo meio maluco. A gente sabe que é inalcançável, mas estamos buscando alcançar. Porque no fundo acreditamos que todos aqueles sonhos idealizados por meio de um desejo propício serviram para estender ao máximo nossa vontade de escolher a mais difícil das opções, para viver sempre em função de um grande sonho baseado num contínuo desejo.

Sonhar é desejar, e desejar é mater o sonho vivo.

boy child clouds kid
Foto por Porapak Apichodilok em Pexels.com
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